sábado, 28 de maio de 2011

Eu: Oh sim, tu a casar? Deixa-me rir...
Ela: Sim eu, porquê não posso?
Eu: Poder podes, mas quem é que vai ser o desgraçado a levar com as tuas coisas?
Ela: Vais ser tu!
Eu: Eu? Nem te consigo ver nessa postura de vestido de noiva, e muito menos consigo imaginar o senhor João a levar-te ao altar!
Ela: Qual é o mal? Tenho algo "inatural"?
Eu: Ora bem, jogas futsal e fazes aquilo a que chamas de ballet. Como é que é possível? Mais... Tu disparas... ARMAS!
Ela: Não exageres, só gosto de paintball, tal como tu nabo!
Eu: sejamos sinceros... tu nem sequer admites que te toquem da cintura para baixo, ou são mortalmente atingidos...
Ela: Claro, tenho razões para o fazer!
Eu: Há dois anos só te ia tirar um papelinho dos joelhos e levei um soco .
Ela: E bem dado! quem te mandou fazer tal coisa?
Eu: E queres casar-te porquê?
Ela: Sabes porque é que a aliança se põe no dedo anelar esquerdo?
Eu: Não
Ela: Porque é o único dedo que tem uma veia ligada ao coração
Eu: Casas comigo?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

#24

devo confessar que não foi propriamente fácil encontrar uma caneta e um papel para escrever .
tudo o que é material de escrita ardeu num raio de cinco quilómetros . aliás , sendo mais concreto , não só o material de escrita ardeu . casas , escolas , centros de saúde , carros ... tudo ardeu .
passei a última noite abrigado nos escombros de um carro que , aparentemente , explodiu recentemente pois quando me abriguei nele , ainda vi fumo sair do seu interior .
o caos instalou-se por estas bandas . toda a gente foge tendo como música de fundo o estrondo de várias bombas , explodindo num ritmo compassado . como em qualquer tragédia , a música de fundo é essencial .
é frequente ver gente aos gritos ou a chorar . mães , pais , filhos , avós ... a cada passo , vejo pessoas chorarem a morte de algum dos seus familiares ou amigos .
na minha opinião , isto não pode piorar . bem , corrigindo . vou remeter-vos caros futuros leitores ( na eventualidade de eu não sobreviver ), ao sucedido nas últimas horas .
durante a minha fuga ás explosões , abriguei-me inicialmente num velho comboio , a cerca de trinta minutos a pé do centro da cidade . nesse comboio , acabei por ser assaltado por um grupo de pessoas ( nem sei se seriam todos homens pois estavam de rosto coberto e vestidos com camuflados , bem largos ) que me levaram dinheiro , câmara ,  comida e bebida . posteriormente , durante outra fuga a explosões , perdi o meu companheiro ( que me acompanhava em trabalho ) . malditas bombas !
de momento encontro-me sozinho e em total desespero , tenho apenas isto ... papel e caneta .
as fronteiras , ao que sei , estão patrulhadas durante as vinte e quatro horas que constituem o dia . preciso de encontrar uma forma de conseguir chegar até ao lado de lá da fronteira e contactar a minha pátria , na esperança de obter ajuda .
até lá , mantenho-me aqui , abrigado e escondido , na expectativa da sobrevivência ...
Até um dia , talvez !

quarta-feira, 11 de maio de 2011

#23

Era de noite .
Achei que assisti a um truque de magia , talvez sim talvez não . Lembro-me de ... De que é que me lembro ?
Era tudo muito vago , aqui em cima , na minha mente . Lembro-me das coisas , distorcidas , desfocadas .
Lembro-me de tudo a andar á roda , as pessoas não paravam quietas . Mais , já me lembro de mais . Havia música . Tinha um ritmo agradável , uma voz masculina , um pouco rouca e com sotaque . Era raggae , acho eu .
Havia mais coisas .
Para além de tudo estar distorcido havia fumo no ar . Muito fumo . Esse fumo tinha um cheiro . Agradável , doce , fazia-me sentir bem .
Lembro-me de ver toda a gente á minha volta a rir , a cantar , a dançar . No meio estava uma fogueira , mas julgo que isso seja proveniente da minha imaginação pois nessa fogueira ardiam jornais , notícias , revistas , fotos ... Dezenas de fotos . Mas o fumo não vinha da fogueira , nada disso . As coisas ardiam mas eu não vi-a fumo negro .
Eu vi-a no ar uma imensidão de fumo mas era um cinza claro , quase transparente .
O cheiro continuava no ar . Vi nuvens debaixo dos meus pés . O real estava a fugir de mim .
Fumo ! Planetas , estrelas , pessoas , paisagens , ruídos , focos de luz e por fim , o escuro .
Sentia-me zonzo , muito zonzo . Andava , parava . Mas não me sentia mal .
Sou Deus , sou alguém importante , alguém que todos adoram .
Não sou nada , não sou ninguém . Num minuto , fui todo o universo . Em poucas horas , resumi-me a mim mesmo , a um ser humano . Que erra , que chora , que escreve .
Escreve isto , e pouco mais

segunda-feira, 9 de maio de 2011

#22

Até podia dizer que sou isto ou aquilo. Mas não sou.
Não sou ninguém e ao mesmo tempo sou alguém.
Ninguém para o mundo e alguém para outro alguém.
Sou um ser humano, dotado de inteligência e conhecimento. Sou uma pessoa, um alguém.
E então? Quem será alguém para o mundo? Resposta: Quem o protege, quem o preserva e quem o defende.
O mundo é o planeta Terra, não os "alguém" que nele habitam.
És alguém para o mundo?

sábado, 7 de maio de 2011

#21

É difícil mas inevitável .
Contorna todos os sentimentos de alegria , atingindo em cheio o meu coração .
Nada consegue parar isto , nada mesmo .
E palavras para quê ? Não vale a pena falar , não há nada para ser falado .
NADA !
O tempo não volta atrás.
Foi bom enquanto durou , juro que foi .
Até sempre!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

#20

Quanto mais lês um livro , mais tens vontade de o ler :
Levanta-se do chão num movimento enérgico e começa a caminhar em passo acelerado .
Os seus passos seguem um ritmo constante , tal e qual o movimento de vai-vem do pêndulo de um qualquer relógio de parede . Estes passos são de tal modo compassados que parecem  cronometrados até ao mais ínfimo segundo .
À primeira vista , ela parece um pouco inquieta , diria até sobressaltada ou assustada mas demonstra firmeza com esta sua forma de andar .
Caminha por uma longa rua , sombria e escurecida . 
Sente-se uma ausência de presença neste lugar , como se não tivesse andado lá ninguém nos últimos cem anos .
Enquanto ela andava , ouvia-se o barulho de um velho baloiço , que pelo seu desgaste , range incessantemente ao sabor do vento .
Ela acelera ainda mais e começa a correr em direcção a um vulto que se encontra ao fundo da rua .
Quando lá chega , abraça-o :
-Já passou , vai ficar tudo bem !
-Garantes ?
-Garanto . Vamos para casa , amanhã é um novo dia ( ... )

quarta-feira, 4 de maio de 2011

#19

Todos os dias , vivemos as nossas vidas como se fossemos o centro de uma história principal .
E de facto somos , somos mesmo .
Somos o centro da nossa história que fica no meio de tantas outras .
O mundo está repleto de histórias . Umas boas , outras más ... Mas está cheio delas .
Ainda assim nos sentimos importantes e , embora erradamente , achamos que tudo o que acontece no mundo , acontece à nossa volta .
A nossa existência é de facto efémera quando pensamos que estamos rodeados de biliões de pessoas .
Aí , a nossa forma de pensar muda drasticamente .
Eu generalizo . Sei que não sou ninguém para o fazer , mas de alguma forma , isto tocará no pensamento pessoal de qualquer um de nós .
E por isso escrevo , para conseguir chegar a alguém .
Os grandes actos vão para os livros de História , as pequenas letras constroem o mundo .
Até amanhã , mundo .

terça-feira, 3 de maio de 2011

#18

Eu sei, eu sei... Hoje são 3 de Maio.
Digo isto já , para não haver quem possa pensar que me encontro ausente , ou até mesmo que os dias do meu calendário passam mais depressa.
Hoje corri para casa , para escrever.
Estas foram as palavras que me saíram: 

Quanto tu me dás ?
Quanto tu foste , és e serás ?
Tu , que me deste forma ,
me deste nome , me deste vida .

Foste tu .
Tu ensinaste-me o sentido da palavra amor .
Criaste-me .
Dás tudo por mim , e , no fundo ,
eu sei que sempre darás .

Enquanto pequeno ,
envolvias-me nos teus braços ,
com ternura , para que nada me pudesse magoar .


Com o passar do tempo ,
deixas-te que , pelo meu próprio pé
eu conhecesse o mundo .
Deixas-te que fizesse parte de tudo aquilo que
estava fora do teu colo .
Mas tu continuavas lá .

Conheci o mundo ,
mundo esse que me magoou ,
vezes e vezes sem conta .
Mas era aí ,
Quando esse mesmo mundo me magoava ,
Que eu sabia que estavas lá .
 
Tinhas sempre um ombro para mim ,
Um forte abraço .
Um abraço que me voltava a proteger ,
Como quando era pequeno ,
e me pegavas ao colo .

Agora mais crescido ,
Vou conhecendo o mundo ,
sem a tua mão a agarrar a minha .
Mas sei ,
Que quando volto a casa ,
Tenho de novo um abraço .
Um abraço que me volta a fazer sonhar ,
Que me faz sentir protegido .

Daqui a muitos anos ,
Quando tu já fores velhinha ,
Continuarei a pedir o teu abraço ,
Continuarei a gostar de ti como gosto ,
Porque serás sempre ,
A minha MÃE …

Porque para mim, o dia da mãe é todos os dias <3